Pare de grifar: o ranking científico dos melhores (e piores) métodos de estudo

Podemos dizer, correndo o risco de exagerar só um pouco, que existe apenas um método de estudos: a repetição. O que nos contam sobre as escolas do passado, com sua enorme rigidez e vários castigos, reflete a estratégia adotada naquela época para obrigar os estudantes a repetirem o conteúdo até assimilarem. O que precisamos para obter o sucesso é, então, encontrar uma forma de repetição que seja compatível com a nossa rotina e com o jeito como gostamos de aprender.

Ler repetidas vezes o mesmo texto pode ser ideal para algumas pessoas, mas a maioria vai se distrair rapidamente. Fazer resumos funciona bem para outros, mas é incompatível com a rotina de muitos. Cartões de autoquestionamento (os flashcards) levam alguns à aprovação, mas se mostram insuficientes para outros candidatos.

É desafiador encontrar um método funcional. Durante esse processo, acabamos nos frustrando com a sensação de ter “jogado tempo fora” ou de ter “dificuldade para aprender”.

Vamos tirar isso do caminho: se você passou dois meses estudando por meio de resumos e depois se cansou, isso não foi “desperdício de tempo”, foram dois meses de estudos nos quais aquele método te atendeu. Se agora videoaulas te parecem enfadonhas e pouco produtivas, é porque você estudou o bastante para “subir de nível”. Então, as videoaulas são, agora, parte do processo que ficou para trás.

Sobre a tal “dificuldade para aprender”: o mais provável é que você não tenha isso. Se tiver, há caminhos para seguir, eles só serão um pouco mais longos. Na maior parte dos casos, porém, você está na regra, como uma pessoa que não se adaptou aos métodos feitos para educação em massa. Convencer quarenta adolescentes a permanecerem sentados por cinco horas por dia pode ter sido a única forma que encontramos para fazer a educação chegar a mais pessoas, mas é muito improvável que essa forma de ensinar e aprender seja ideal para a maioria das pessoas.

Pois bem. Você não perdeu tempo até agora e nem tem dificuldades para aprender. Vamos, então, avaliar alguns métodos de estudo para que você possa experimentar, variar e combinar. Assim, tentaremos tornar a antiguíssima “repetição” mais palatável. Os métodos estão em ordem crescente de “utilidade”.

8º Lugar: Ler e grifar

Destacar textos exige pouco esforço cognitivo e cria o que a psicologia chama de “ilusão de fluência” (ou ilusão de competência). Cognição é a forma como recebemos as informações do mundo ao nosso redor e que as entendemos e aprendemos com elas. Assim, quando você grifa, usa pouco seu cérebro, mas não percebe. É como fazer caminhadas leves para se preparar para uma maratona, e andar tanto que surge a sensação de “bom, eu consigo correr os 42 km”. Ao ver a página colorida, o cérebro reconhece a informação e confunde esse “reconhecimento” com “aprendizado real”. No entanto, sem o texto na frente, o estudante não consegue recuperar a informação.

7º Lugar: Assistir a videoaulas

Videoaulas são excelentes para o primeiro contato com a matéria, quebra de objeções e compreensão de conceitos complexos. Esse é o método que usamos na escola e na faculdade, então você consegue calcular bem se funciona para você. Com vídeos você pode ter um acesso a professores que não seria possível sem a tecnologia.

O problema ocorre quando são usadas isoladamente como método principal. Como são passivas, não treinam a evocação da memória. O estudante confunde a boa didática do professor com o seu próprio domínio do assunto. À medida que você avançar nos seus estudos, as videoaulas podem ser usadas de forma pontual, não como regra.

6º Lugar: Fazer resumos

Sintetizar um texto com as próprias palavras pode ser eficaz para estudantes que já possuem treinamento nessa habilidade. Ou seja, para quem “já chegou lá” é muito eficaz. Então por que foi classificado como de baixa utilidade? Ocorre que um estudo (veja as referências ao final) concluiu que, na prática, a maioria dos estudantes apenas copia trechos do material, o que consome um tempo gigantesco. Em editais extensos, o resumo manuscrito tradicional não escala bem e prejudica o avanço no conteúdo.

5º Lugar: Participar de grupos de estudo / Ensinar

O ato de tentar explicar a matéria para alguém (ou para si mesmo, no espelho) tem um valor cognitivo real, pois força o cérebro a organizar ideias e expõe lacunas de conhecimento. É ao falar em voz alta que você percebe se dominou o início, o meio e o fim de uma ideia, ou se ficou faltando algo. Ensinando, você se obriga a “contar a história” inteira, e acaba percebendo quais trechos não estão “bem contados”.

É importante mencionar, porém, que, em termos de concurso, grupos de estudo frequentemente geram distrações e perda de ritmo. O uso individual dessa técnica é útil, mas exige muito tempo se aplicado a todo o edital.

4º Lugar: Manter um Caderno de Erros

Registrar os próprios erros, detalhando o motivo da falha e a regra correta, é uma prática de alto impacto baseada na metacognição (pensar sobre o próprio aprendizado) e no aprendizado baseado em erros (error-based learning). O feedback corretivo imediato e a análise do erro criam uma memória forte e evitam que você perca pontos nos assuntos e formas de cobrança que as bancas repetem, direcionando o estudo para as fraquezas.

3º Lugar: Cartões de autoquestionamento (Flashcards)

Pequenos cartões com pergunta de um lado e resposta do outro (daqueles que se compra em papelarias). Eles aplicam o princípio do Active Recall (Recuperação Ativa). O esforço mental de tentar “puxar” a informação da memória antes de ver a resposta fortalece consideravelmente as conexões neurais. É uma das melhores ferramentas para memorizar prazos, fórmulas e a letra seca da lei.

Aplicativos podem te ajudar com isso (por exemplo, o Anki, que é gratuito). A vantagem dos apps é que eles promovem automaticamente a “repetição espaçada”, que veremos a seguir.

2º Lugar: Fazer revisões periódicas (Repetição Espaçada)

A repetição espaçada ataca diretamente a perda natural de memória. Consiste em revisar a informação em intervalos planejado (aqui entram os aplicativos que mencionamos acima). Isso resgata a memória no exato momento em que ela está prestes a decair, consolidando o conhecimento a longo prazo de maneira eficiente, com baixo gasto de tempo diário.

1º Lugar: Resolver questões de provas anteriores

É cientificamente o método mais robusto e eficaz que existe. Simular a prova ativa o “Efeito de Teste” (Testing Effect), comprovando que o simples ato de ser testado modifica e fortalece a memória mais do que qualquer releitura. Além do ganho cognitivo, treina a resistência, a gestão de tempo e o reconhecimento do padrão da banca examinadora. Hoje diversas plataformas facilitam o uso desse método, inclusive fornecendo filtros para que você estude por assunto ou por banca, por exemplo.

É exatamente por sabermos que a resolução prática e o feedback corretivo (análise de erros) são os métodos de sucesso para a aprovação que a Coordenar foca seus materiais nestes pilares. Seja por meio das nossas apostilas esquematizadas direto ao ponto, ou do nosso serviço de correção individualizada de simulados inéditos para a OAB, nosso objetivo é tirar você da passividade e te colocar na zona de alto rendimento.

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Referências

DUNLOSKY, J. et al. Improving Students’ Learning With Effective Learning Techniques. Psychological Science in the Public Interest, v. 14, n. 1, p. 4-58, 2013.

EBBINGHAUS, Hermann. Memory: A Contribution to Experimental Psychology. Tradução de Henry A. Ruger e Clara E. Bussenius. New York: Teachers College, Columbia University, 1913.

KARPICKE, Jeffrey D.; ROEDIGER III, Henry L. The critical importance of retrieval for learning. Science, v. 319, n. 5865, p. 966-968, 2008.

METCALFE, J. Learning from Errors. Annual Review of Psychology, v. 68, p. 465-489, 2017.

ROEDIGER, H. L.; KARPICKE, J. D. Test-Enhanced Learning: Taking Memory Tests Improves Long-Term Retention. Psychological Science, v. 17, n. 3, p. 249-255, 2006.

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